

Imagem daqui: http://www.pbase.com/image/93716196
Foto de Teresa Perdigão
Porém, em meados do século XX, os santeiros alegraram-lhe o rosto e amenizaram-lhe o aspecto, aloirando-o e substituindo o vermelho forte pelo rosa, como se vê no pendão.
Foto de Margarida Araújo
A Isabel travestiu-se de Maria Paciência e procurou Bordalo pelos sítios onde ele sempre se perdia, observando, escrevendo, desenhando, modelando. E depois, juntou-se aos dois e criou o artifício de fantasiar a escrita de um livro sobre o parque das Caldas. Fez-nos viajar pelo lago, pelo clube, pelo coreto, enfim, por sítios que hoje já fazem parte da nossa memória, uns desaparecidos, outros transformados.Porto de Linhares - Igreja da senhora da Luz - séc.XVII - Novembro 2008
Diz a lenda: Andava uma pobre velhinha a apanhar lenha, no que seria um enorme bosque, nos inícios do século XVII, num lugar designado por Vale de Deus, para os lados de Cós (Alcobaça), quando uma bela Senhora lhe apareceu a querer ajudá-la. Surpreendida, a dita aldeã recusou. Noutra ocasião,a Senhora voltou e insistiu, mas sem resultado. Insistiu ainda uma terceira vez mas, mudando de táctica, disse: "Catarina, segue-me. Encontrarás a tua chave". Mais espantada ainda ficou a velhinha, pois não havia confessado a ninguém como a apoquentava o facto de ter perdido a chave. Aceitou a sugestão e foi. Aparecida a chave, pediu-lhe a Senhora que escavasse um buraco na terra, ao que a mulher acedeu. Para grande surpresa, daí jorrou uma bica de água. "Vai e diz ao povo que aqui encontrará a cura para os seus achaques". E assim se cumpriu a vontade da Senhora. As curas multiplicaram-se.
Entretanto a fonte quase caíu no esquecimento. Pelo menos, está ao abandono, mas, graças à edificação de uma igreja, muito perto do local das aparições, o sítio é visitado anualmente, a 16 e 17 de Novembro, para homenagear Nossa Senhora da Luz. A data não deixa dúvidas da relação deste culto com antiquíssimos cultos à lua e a Isis, de quem já falámos aqui. Não era só na Primavera que se festejava o renascimento de Adónis, ou Tamouze ou Osíris. Também nesta época se festejava o encontro do corpo de Osíris, pela deusa Isís, aquando da descida aos infernos ou ao interior da terra. O filho simbolizava a semente que fecundaria a Terra, enquanto ela simbolizava a Lua e era festejada a 16/17 de Novembro, dia em que a tal senhora apareceu a Catarina Annes... dizem!
Na realidade, Frei Agostinho de Santa Maria diz que foi em Junho que tal aparição se deu. Mas isto de datas e de lendas nada é certo!
Constata-se, hoje, que o santuário é lugar de romaria de gentes da região e especialmente de nazarenas.
Dentro da Igreja - Novembro 2008
CARVALHAL e DURRUIVOS (Bombarral)
Salta-me à lembrança o dia de Todos-os-Santos, em que, logo de manhã cedo, a garotada começava afluindo à porta da Ti Maria Rosa, com o saquitel na mão, para o Pão-por-Deus. Na véspera havia ali sempre grande azáfama, até alta noite. O forno acendia-se mais que uma vez, para cozer o pão, para abrir pinhas e pinhões e ainda para torrar pevides. Lá ficavam depois, dentro dele, sobrepostas em alcarruma os ramais de fruta branca às talhadas de pêro e de maçã.
Quando éramos pequenos, eu e minha irmã, também tivemos nalguns anos licença para ir ao Pão-por-Deus, mas só a casa da tia Maria Rosa. Nem a qualquer outra poderíamos ir em seguida, porque os nossos saquitos enchiam-se logo ali com toda a casta de guloseimas, desde as pinhas todas abertas a mostrar os pinhões fendidos mas ainda acasalados nos alvéolos das cascas encarquilhadas pelo calor, às cheirosas maçãs e os cachos de uvas passadas à mistura com punhados de nozes, castanhas e figos secos criados na Cerrada, na sua bela propriedade, onde havia de tudo – até cortiços com mel, guardados por diligentíssimas abelhas sempre dispostas a aplicar pontas de fogo em quem as incomodasse.
Júlio César Machado in Ecos do Bombarral, 20 Maio de 1956, nº 28
Clique sobre a imagem e verá como a terrina se faz monstro!!!
Agora estas coisas de nada servem, dizem. Mas, os mais cuidadosos metem-nas em baús, penduram-nas a decorar adegas e tertúlias ou expoem-nas em museus etnográficos. Muitas, dada a sua inutilidade em tempo de mochilas e malas de rodinhas, vão parar ao caixote do lixo. Não foi o que aconteceu com estas, todas elas com mais de 80 anos, feitas pela avó materna da Gina, residente em Monsanto, Alcanena.
Depois de ver o Lapedo, onde foi descoberta a criança ali sepultada há 24.500 anos, as nascentes do Liz e as grutas do Reguengo do Fetal, com a ajuda do olhar do Saúl, do Filipe e da Sofia, jamais olharei o Universo da mesma maneira. Jamais contarei os anos de a.C a d.C. Jamais esquecerei o significado de Grácico, Cretácio, diapirismo e outros termos que ouvi repetidamente ao longo desta sessão de CIÊNCIA VIVA que começou em Leiria, pelas 10 da manhã, e terminou por volta das 18, depois de uma entrada iniciática no Buraco Rôto.
O Saúl, jovem geólogo acabado de formar, apesar de bombardeado pelas imensas perguntas dos participantes, nenhum deles com formação em geologia, acabou o dia sorridente e nós, satisfeitos, bem dispostos e muito gratos. O Filipe e a Sofia, também eles geólogos e jovens, foram óptimos condutores do grupo, sempre oportunos a dissolver resquícios de dúvidas que pudessem ficar.
Parabéns a este grupo, parabéns aos promotores desta iniciativa que vem, de uma forma lúdica, acrescentar tanto conhecimento sobre o espaço onde vivemos e que pisamos todos os dias sem nos apercebermos das suas transformações ao longo de milhões de anos.