13 de dezembro de 2008

Sol, Santa Luzia e Capões

Hoje festeja-se Santa Luzia, a santa que, generosamente, estende aos crentes uma bandeja sobre a qual estão dois olhos porque na tradição cristã, ela é a salvadora das maleitas da vista e a portadora da luz. É por isso que se lhe oferecem ex-votos representando olhos.
Também hoje se realiza, em Freamunde, a feira dos capões, iguaria altamente apreciada por gastrónomos e religiosamente preservada pelos freamundenses (não confundir com Pacenses - de Paços de Ferreira!
Dois acontecimentos que só aparentemente nada têm a ver um com o outro, porque, na realidade, estão ligados pela luz, pela simbólica solar. Em relação ao culto a Santa Luzia, diga-se que era nesta altura que, em Roma, se iniciavam os festejos em honra do Sol, devido à aproximação do Solstício de Inverno - as Saturnais (Saturnalia). Era uma época de desordem social, através da qual se procurava reviver os tempos míticos de uma felicidade utópica, outrora existente.
Destes rituais pagãos a igreja católica assimilou o sol, à Luz - Luz divina que guia e orienta - e encontrou uma santa que foneticamente se lhe, a santa Luzia, cujas lendas a situam nos países nórdicos onde ela, pela manhã do dia 13 de Dezembro, aparece a acordar todos os que ainda dormem, trazendo a luz da manhã (solar). Vem vestida de branco (de luz), com uma bandeja com velas acesas e ostenta na cabeça uma coroa, também ela, luminosa.

E o galo, o capão, porque está tão associado a estas celebrações? Pois exactamente porque o galo é um símbolo solar cujo cantar anuncia o nascer do Sol. Em Freamunde esta feira é um resquício, suponho que único, em Portugal, da ligação do culto de Santa Luzia ao Sol, por intermédio da simbologia deste animal.
Freamunde tem sabido manter esta tradição, fazendo paralelamente uma semana de gastronomia, um jantar (dia 12) onde se elege o melhor capão confeccionado por restaurantes locais e um concurso que selecciona o capão mais bem capado, quer dizer, que segue as rígidas regras que distinguem um capão de um rinchão e que eu me atrevo a enumerar, de cor, fugindo, pois, à severidade do júri: o capão tem de ser cirurgicamente capado, com cerca de dois meses, o capão não canta, não tem crista, não tem os brincos que pendem por baixo do bico e... claro! não corre atrás das galinhas! É um eunuco! Um rinchão é um falso capão!!!

12 de dezembro de 2008

Santo André, a Água e o Azeite. E Vénus

O topónimo Santo André está sempre associado à água - do mar, dos rios, das albufeiras, dos lagos e das lagoas. Pode até dizer-se que pensar Santo André é pensar água. Pois por isso mesmo, até existem as Águas de Santo André. E também o Navio Museu Santo André, outrora pesqueiro do bacalhau, e agora atracado na Ria de Aveiro, em Ílhavo.
Não faltam as feiras de Santo André, também elas, junto à água, como a de Mesão Frio, de frente para o Douro.
Como este santo era pescador, na Galileia, passou a ser associado também a quem anda e trabalha no mar, nos rios ou nas lagoas. Curiosamente é este mesmo atributo que o faz estar ligado à expressão mar de azeite, que pretende enunciar um mar calmo, calmíssimo. E como é que ele passa da água, para o azeite, elementos que jamais se misturam e confundem? Precisamente porque dantes, quando os barcos contornavam a ponta oriental de Chipre (da qual Santo André é padroeiro), onde se encontra um mosteiro em sua honra, lançavam no mar garrafas cheias de azeite que as ondas levavam até à terra, para alumiarem o santo.

Estes ex-votos tinham por finalidade pedir um mar calmo, um mar d'azeite, como diziam, e pedir a protecção do Santo, quando o mar deixasse de ser de azeite e por isso mesmo se tornasse perigoso.

E ainda para corroborar a ligação deste culto à água, diz a tradição que o seu primeiro milagre foi fazer jorrar uma fonte de água doce na ponta Este de Chipre, local, até aí dedicado a Vénus.

8 de dezembro de 2008

A moda Santeira

Mudam-se os tempos, mudam-se as caras dos santos.

Imagem de Teresa Perdigão
André significa, em grego, "homem valente, corajoso e viril". Por isso é representado com ar bem carrancudo e austero. Segundo os atributos que lhe são requeridos, ele deve dar vigor ao frio e dominar e os mares.
Daí ser representado de acordo com estas competências - homem/santo de pouca doçura, como se vê na imagem que está na capela do Arelho e, mais ainda, no baixo-relevo, em pedra, que encima a fachada exterior desta mesma capelinha.

Imagem daqui: http://www.pbase.com/image/93716196


Vestido de vermelho, barbudo, olhando severamente o horizonte.

Foto de Teresa Perdigão
Porém, em meados do século XX, os santeiros alegraram-lhe o rosto e amenizaram-lhe o aspecto, aloirando-o e substituindo o vermelho forte pelo rosa, como se vê no pendão.

4 de dezembro de 2008

SANTO ANDRÉ no ARELHO


SANTO ANDRÉ, padroeiro de Chipre, da Rússia e da Escócia, é-o também do Arelho (Óbidos). Se, nos Balcãs, ele é venerado porque está associado à invernia e à neve que, segundo se diz, deve fazer branquear as suas barbas, ao ARELHO ele chegou por via da pesca.
Se, nos Balcãs, o esbranquiçar das barbas é apenas uma metáfora que se associa ao envelhecimento do ano, no ARELHO e em Chipre, Santo André, pescador na vida real, transformou-se, segundo a mitologia cristã, num pescador de almas.
O ARELHO associa as duas vertentes do homem santo e pescador. Daí o seu andor ser um barco, símbolo dos que durante séculos exploraram a Lagoa de Óbidos e as salinas. Sai a 30 de Novembro a abençoar a aldeia que, até há cerca de 50 anos vivia exclusivamente da exploração da terra e da pesca. Abençoa os campos em repouso. Passa junto à enigmática Rua de Pernobes (zona agrícola) e pára solenemente, em frente à lagoa. Pára. Olha-a e não sabemos o que pensará, mas o que é importante registar é o ritual que, este ano, devido à chuva, não teve lugar. O gesto mantém-se embora já não desempenhe qualquer função porque os pescadores desapareceram e as salinas estão desactivadas. Estes resquícios de antigas práticas ajudam a construir a história das comunidades e, por isso, é importante registá-las.

22 de novembro de 2008

Cobras e lagartos


Foto de Margarida Araújo - 20 de Novembro 2008
Sobre a mesa que a Isabel Castanheira decorou com alusões a Bordalo, estava um lagarto verde e luzidio, criação do Mestre. Lagartos, rãs e cobras são alguns animais de pele viscosa que adornam as suas peças ou que, muito simplesmente, vivem per si.
Estes animais estão especialmente ligados à tradição popular. O lagarto ou sardão é considerado amigo do homem, enquanto a cobra se inclina mais para a mulher. Ambos têm faculdades divinatórias. As rãs são consideradas animais lunares. Propiciam a chuva e a fertilidade. Nos contos tradicionais aparecem às mulheres que não podem ter filhos.

O lagarto tem a particularidade de entrar em várias rezas que afastam mazelas como papeira, sezões, dores de dentes, névoa nos olhos ou para quando se apanha veneno de animal, e, quem sabe? de algum sádico:


Eu te benzo,
Aranha, aranhão,
Cobra, cobrão,
Sapo, sapão,
Lagarto, lagartão,
Eu te talho,
A cabeça, o rabo e o coração,
Bicho de maldição!
recolhida em Costantim, Bragança, Miranda do Douro
Agradeço à Guidó a gentil cedência da foto.

20 de novembro de 2008

Maria Paciência, Bordalo e Isabel Castanheira autores de O Parque das Caldas da Rainha

Foto de Margarida Araújo

A Isabel travestiu-se de Maria Paciência e procurou Bordalo pelos sítios onde ele sempre se perdia, observando, escrevendo, desenhando, modelando. E depois, juntou-se aos dois e criou o artifício de fantasiar a escrita de um livro sobre o parque das Caldas. Fez-nos viajar pelo lago, pelo clube, pelo coreto, enfim, por sítios que hoje já fazem parte da nossa memória, uns desaparecidos, outros transformados.
Não foi só a técnica da apresentação que prendeu os assistentes, sim de tão apelativa que estava, com bonecos a mexerem-se em todo o écran ou Maria Paciência e Bordalo armados em protagonistas, esvoaçando, correndo, mergulhando em folhas e folhas que se sucediam no écran.
Foi também ela, os gestos e o olhar que denunciaram a paixão com que nos ensina Bordalo.
E assim, como diz Isabel, lembrando-o e divulgando-o, ele não morrerá, mesmo que seja maltratado ou pouco bem tratado por alguns.
Nota: Um obrigada especial à Guidó, pela amável e voluntariosa cedência desta foto.

Isabel Castanheira

Hoje, Isabel Castanheira leva-nos a passear pelo parque das Caldas da Rainha, de mão dada com um dos seus apaixonados, Bordalo Pinheiro.
Para quem não sabe quem é, para os que estão longe das actividades culturais caldenses, a Isabel da 107, como é conhecida; 107 é o seu tesouro e a nossa livraria, é uma amante e divulgadora de livros. Organiza serões onde nos dá a conhecer autores e vidas de livros. Tem uma livraria que nos convoca permanentemente para celebrarmos datas e dias, sempre servidos de beijinhos das Caldas e outras coisas boas.
A Isabel é também uma amante e especialista de Bordalo. Fala dele como se fala de um grande amigo e hoje até quer partilhar os caminhos que ambos palmilharam, com a comunidade caldense.

18 de novembro de 2008

Ter Nome é SER

A lenda de Nossa Senhora da Luz (Cós) nunca identifica a formosa e nobre senhora (adjectivos deste género são fundamentais neste tipo de lendas) como sendo da luz, da oliveira ou do vale. Ela aparece para ajudar a pobre aldeã (estes também: pobre, humilde, velhinha, inocente, piedosa) e, perante a  recusa desta: Não haveis vós de me vir ajudar a apanhar lenha, quis a Senhora ensinar-lhe o caminho da chave perdida e da água milagrosa: Catarina, vem cá que eu te darei a tua chave que perdeste. Note-se o contraste nas formas de tratamento, assunto de que não me ocuparei agora. Falo, antes, da importância de designar os nomes, neste caso, Catarina e Senhora da Luz.
A piedade dos devotos deu à Virgem neste lugar o título de Nossa Senhora da Luz, diz a lenda escrita. Sem os nomes, a Senhora nunca poderia ser nomeada nem venerada. E Catarina nunca teria sido conhecida, lembrada e designada como aquela a quem a Senhora concedeu o dom de A ver. 
De facto, como diz Almada Negreiros em Nome de Guerra, "proceder como anónimo é contra as regras do jogo". E, como diz Ana Paula Guimarães: ... a integração social pressupõe a necessidade de um nome, civilmente o ser só existe depois do nome dado, como se fosse ele a fecundar o homem de sociabilidade, a ligá-lo a uma memória e a organizar a existência humana numa teia de relações.
Porque o nome é a garantia de que se é, entre o acto de nascer e o acto de dar o nome, a muitas crianças era emprestado o nome de Custódio (a), como o anjo da guarda. Era uma forma de as proteger da errância e, em caso de morte, de as livrar do limbo.

Todas estas reflexões a propósito da leitura de NÓS DE VOZES - Acerca da Tradição Popular Portuguesa - Nós e os nomes (pg.19-33) de Ana Paula Guimarães.

17 de novembro de 2008

Fonte Santa

Em 1890, José Francisco Barreiros Callado escreveu a Lenda de Nossa Senhora da Luz, venerada e festejada na freguesia de Cós - Porto de Linhares - a 16 e 17 de Novembro.

Sempre que Maria faz a sua aparição na Terra, eis que uma fonte jorra água cristalina e santa.

16 de novembro de 2008

16 e 17 de Novembro em Porto de Linhares (Cós)

Porto de Linhares - Igreja da senhora da Luz - séc.XVII - Novembro 2008

Diz a lenda: Andava uma pobre velhinha a apanhar lenha, no que seria um enorme bosque, nos inícios do século XVII, num lugar designado por Vale de Deus, para os lados de Cós (Alcobaça), quando uma bela Senhora lhe apareceu a querer ajudá-la. Surpreendida, a dita aldeã recusou. Noutra ocasião,a Senhora voltou e insistiu, mas sem resultado. Insistiu ainda uma terceira vez mas, mudando de táctica, disse: "Catarina, segue-me. Encontrarás a tua chave". Mais espantada ainda ficou a velhinha, pois não havia confessado a ninguém como a apoquentava o facto de ter perdido a chave. Aceitou a sugestão e foi. Aparecida a chave, pediu-lhe a Senhora que escavasse um buraco na terra, ao que a mulher acedeu. Para grande surpresa, daí jorrou uma bica de água. "Vai e diz ao povo que aqui encontrará a cura para os seus achaques". E assim se cumpriu a vontade da Senhora. As curas multiplicaram-se.
Entretanto a fonte quase caíu no esquecimento. Pelo menos, está ao abandono, mas, graças à edificação de uma igreja, muito perto do local das aparições, o sítio é visitado anualmente, a 16 e 17 de Novembro, para homenagear Nossa Senhora da Luz. A data não deixa dúvidas da relação deste culto com antiquíssimos cultos à lua e a Isis, de quem já falámos aqui. Não era só na Primavera que se festejava o renascimento de Adónis, ou Tamouze ou Osíris. Também nesta época se festejava o encontro do corpo de Osíris, pela deusa Isís, aquando da descida aos infernos ou ao interior da terra. O filho simbolizava a semente que fecundaria a Terra, enquanto ela simbolizava a Lua e era festejada a 16/17 de Novembro, dia em que a tal senhora apareceu a Catarina Annes... dizem!
Na realidade, Frei Agostinho de Santa Maria diz que foi em Junho que tal aparição se deu. Mas isto de datas e de lendas nada é certo!
Constata-se, hoje, que o santuário é lugar de romaria de gentes da região e especialmente de nazarenas.



Dentro da Igreja - Novembro 2008

11 de novembro de 2008

Em dia de S: MARTINHO, Lume, Castanhas e Vinho

Quatro castanhas assadas
Quatro pinguinhas de vinho
Quatro beijos de uma moça
Fazem um homem menino.
Quatro castanhas assadas
Quatro pingas de água-pé
Quatro beijos de moça
Põem um homem em pé.
Quatro castanhas assadas
Quatro pingos de aguardente
Quatro beijos de uma moça
Fica um homem contente
Cancioneiro Popular

5 de novembro de 2008

DIA de TODOS-OS-SANTOS III


Ainda este ano as crianças e jovens vieram pedir: "Oh tia, dá o bolinho em louvor de todos os santinhos!" A tradição cumpre-se. É uma prática já sem o sentido da partilha, após colheitas, mas continua a ser um bom momento de convívio e de reforço dos laços de vizinhança.

Estes são os bolinhos que ainda se distribuem a vizinhos e amoigos, a 2 de Novembro, na região de Ourém.

1 de novembro de 2008

Doa de TODOS-OS-SANTOS - II

Carvalhal, 1 de Novembro de 2007
"Pão-por-Deus, se faz favor" pedem as crianças, na região do Bombarral.
"Oh tia! dá o bolinho em louvor de todos os santinhos" dizem noutras regiões do centro.

Foto in Carvalhal e... peras - Viagens por Memórias e Paisagens

Dia de TODOS-OS-SANTOS - I


CARVALHAL e DURRUIVOS (Bombarral)


Salta-me à lembrança o dia de Todos-os-Santos, em que, logo de manhã cedo, a garotada começava afluindo à porta da Ti Maria Rosa, com o saquitel na mão, para o Pão-por-Deus. Na véspera havia ali sempre grande azáfama, até alta noite. O forno acendia-se mais que uma vez, para cozer o pão, para abrir pinhas e pinhões e ainda para torrar pevides. Lá ficavam depois, dentro dele, sobrepostas em alcarruma os ramais de fruta branca às talhadas de pêro e de maçã.
Quando éramos pequenos, eu e minha irmã, também tivemos nalguns anos licença para ir ao Pão-por-Deus, mas só a casa da tia Maria Rosa. Nem a qualquer outra poderíamos ir em seguida, porque os nossos saquitos enchiam-se logo ali com toda a casta de guloseimas, desde as pinhas todas abertas a mostrar os pinhões fendidos mas ainda acasalados nos alvéolos das cascas encarquilhadas pelo calor, às cheirosas maçãs e os cachos de uvas passadas à mistura com punhados de nozes, castanhas e figos secos criados na Cerrada, na sua bela propriedade, onde havia de tudo – até cortiços com mel, guardados por diligentíssimas abelhas sempre dispostas a aplicar pontas de fogo em quem as incomodasse.

Júlio César Machado in Ecos do Bombarral, 20 Maio de 1956, nº 28

28 de outubro de 2008

Dr. MÁRIO GONÇALVES - CIDADÃO DE SEMPRE

Dr. Mário Gonçalves foi homenageado pelos Rotários de Caldas da Rainha, como o profissional do ano.
Muitos amigos participaram nesta merecedissima homenagem. Alguns elogiaram o seu profissionalismo, humanismo e dedicação à cidade das Caldas.
Isabel Xavier, Presidente do PH (Associação Património Histórico) terminou a sua intervenção com una frase que resume duas das suas facetas: Profissional do ano, CIDADÃO DE SEMPRE!


O Coro da Casa do Pessoal do Hospital das Caldas presenteou-o com uma alegre actuação.

O homenageado, a esposa, Srª D. Ana Maria, e a homenageada do ano passado, Srª D. Isabel Castanheira, a nossa livreira e autora do blog cavacos das caldas.

18 de outubro de 2008

O SEGREDO... no DOCLISBOA


No filme O SEGREDO de Edgar Feldman, Dias Lourenço conta, na primeira pessoa, como organizou a fuga do forte de Peniche. Com humor, como se 18 anos de cárcere, não lhe pesassem no corpo já experiente de 94 anos, relata, in situ, como foi possível planear fuga tão corajosa.
Edgar Feldman prestou um serviço ao país documentando tal facto.

17 de outubro de 2008

RENDEIRAS PREMIADAS





As rendeiras da Ilha do Pico foram, em 2008, as únicas laureadas, na Europa, com o Prémio de Criatividade para Mulheres em Meio Rural, atribuido anualmente pela WOMEN'S WORLD SUMMIT FOUNDATION para premiar as mulheres que contribuem para enriquecer uma comunidade e para transmitir o saber-fazer, de forma criativa.

Foi o Clube de Soroptimistas de Caldas da Rainha que tomou a iniciativa de as candidatar, tal como já havia feito no ano passado, com AS CAPUCHINHAS. Esta iniciativa demonstra o interesse do SI de Caldas da Rainha em se unir à luta das mulheres que, silenciosamente, vão contribuindo para o bem da comunidade. Associar-se a elas e dar-lhes visibilidade!

15 de outubro de 2008

DOCUMENTÁRIOS EM FORÇA


Começa já amanhã o DOCLISBOA.
E tem prolongamento, em Alcobaça, de 21 a 24 de Novembro.

13 de outubro de 2008

TERRINA DE BORDALO abre filme

Esta terrina/peixe é proveniente da Fábrica Bordalo Pinheiro de Caldas da Rainha e faz parte do acervo do Museu de Angra.
A mestria da Teresa Tomé, realizadora da série de filmes ILHAS MÍTICAS, deu-lhe vida e transformou-a num quase montro que, deslocando-se pelo écran, abrindo e fechando a bocarra, parece querer devorar o planeta.






Clique sobre a imagem e verá como a terrina se faz monstro!!!

12 de outubro de 2008

ILHAS MÍTICAS

O Solstício de Verão, de Antonieta Costa, é um filme que associa as actuais festividades dos Açores, como as Sanjoaninas, da Terceira, as touradas à corda e outros rituais relacionados com o boi sacrificial, a práticas ancestrais dedicadas ao Sol. Aí está espelhada a importância que hoje ainda se dá ao touro e ao cavalo, outrora representantes da divindade solar, bem como à eleição de misses ou rainhas da festa, resquícios dos louvores à deusa Diana.
Antonieta Costa une fios tecidos ao longo de milénios, vai a diferentes locais da Europa e do nosso país, buscar pontas que o tempo desfez e une-as, com sabedoria, rigor e clareza.
Sei que é o terminus de um projecto que durou anos a concretizar, não só pela sua grandeza, mas também porque as entidades que deveriam apoiá-lo, se mostraram descrentes. Mas ele aí está. Em breve disponível para o grande público, num pacote de 5 filmes, por 30€.
Parabéns à persistência da Antonieta (autora da ideia, da investigação e do texto) e da Teresa Tomé (câmara/reallizadora/técnica de montagem).

9 de outubro de 2008

OS AÇORES EM MOSCOVO E LISBOA

Antonieta Costa , estudiosa e divulgadora do Culto do Espírito Santo partiu de uma ideia base: descobrir e comparar, em vários sítios da Europa, rituais que, actualmente, vêm à superfície, através de resquícios que denunciam raízes comuns.
Organizou-os em quatro documentários subordinados ao calendário solar - soltícios e equinócios -, e mais um, cuja temática é o Oceano.
Depois de os ter apresentado, durante esta semana, no Festival Internacional de Moscovo, estará presente hoje, no Museu de Arqueologia para, pelas 18 horas, exibir o Solstício de Verão.

7 de outubro de 2008

A DANÇA DOS RITUAIS


No Cabeço das Pombas, perto de Vale Florido, concelho de Alcanena, Santa Susana, outrora homenageada no segundo fim-de-semana de Outubro, deixou de o ser. Já em 1732, o pároco havia considerado que Nossa Senhora dos Milagres deveria ter mais relevo do que a mera santinha ali cultuada. Com o tempo, fundiram-se as duas festas numa só e ainda mais com o passar do tempo, a de Santa Suzana desapareceu.
Era a protectora dos animais que iam de todas as redondezas, anualmente, em busca da bem-aventurança para os seus donos.
No topo da Serra Daire, bem longe de caminhos fáceis, ali teria estado outrora uma deusa protectora de gentes e animais.
As gentes foram desaparecendo e os animais rareando.
Restam duas pastoras. Uma delas, a Emília do Canto, guarda a chave da capelinha e dá-a aver. Lamenta que já nem missa ali haja: "é que assim, nem vontade temos de mudar de fato! Parece que nem há domingos!"

A MEMÓRIA DAS COISAS



Agora estas coisas de nada servem, dizem. Mas, os mais cuidadosos metem-nas em baús, penduram-nas a decorar adegas e tertúlias ou expoem-nas em museus etnográficos. Muitas, dada a sua inutilidade em tempo de mochilas e malas de rodinhas, vão parar ao caixote do lixo. Não foi o que aconteceu com estas, todas elas com mais de 80 anos, feitas pela avó materna da Gina, residente em Monsanto, Alcanena.

Cuidadosamente guardadas, estas sacas tecem estórias aos quadradinhos, em tecido. Os restos de roupas que vieram da América, trazidos, certamente, pelo avô materno, foram colocados lado a lado com sentido estético que ultrapassa a mera funcionalidade do objecto.
Mas, o mais surpreendente, foi encontrar no interior de uma delas, a bandeira portuguesa. "Deve ter vindo da América. Deve ter sido o meu avô que a trouxe e a minha avó encontrou-lhe utilidade, fazendo dela um forro."

1 de outubro de 2008

VOU ESCREVER...

«Se és feliz, escreve; se és infeliz, escreve também.» Machado de Assis (1839-1908)

29 de setembro de 2008

DIAS de MELO (+1)


-Início dos anos 90. Dias de Melo com o sobrinho Raul Pedro, trabalhando sobre o livro Na Memória das Gentes-
«Ouvi gentes do mar que me falaram do mar e da terra, ouvi gentes da terra que me falaram da terra e do mar (...) Falaram-me da vida, delas e da comunidade, contaram-me contos, disseram-me versos (...). Optei por reunir neste Livro as histórias que ouvi e os diálogos que mantive com gentes predominantemente do mar - baleeiros, pescadores, marinheiros dos iates, das lanchas de tr[afico local, dos chamados barcos do Pico, das traineiras da pesca da albacora - (...) mais do que eu, os verdadeiros autores deste livro, (...) são eles, esses homens e essas mulheres do povo da minha Ilha.»
Dias de Melo in Na Memória das Gentes

DIAS DE MELO (+1)

"... se ouvirdes dizer a um homem que ande no mar (...) que não tem, que nunca teve, medo do mar, ficai vós sabendo que esse farsante ou é tolo ou não conhece o cerrado em que anda a lavrar (...) "
dizia Mestre António Espiga in A VIAGEM DO MEDO MAIOR de Dias de Melo
Chamaram-lhe escritor baleeiro.
Só o amor pelo mar e pelas gentes do mar o incitou a fugir à vigilância materna num bote baleeiro, aos 10 anos.
O mar foi sempre uma tentação. O mar e as gentes do mar. Sobre eles escreveu a vida inteira. Sobre eles e com eles falou a vida inteira.
A sua obra é incontornável para o conhecimento da ilha do Pico e da história da baleação.
Fez dos seus livros, NA MEMÓRIA DAS GENTES, uma arca preciosa de saberes e afectos. Aí registou estórias, narrativas e conversas que teve com as pessoas num trabalho que o levou a calcorrear todos os caminhos da ilha.

25 de setembro de 2008

O ESCRITOR BALEEIRO

Quando, há anos, visitei a Casa dos Botes, na Calheta de Nesquim, na Ilha do Pico, deixei-me surpreender pela legenda de uma foto: Escritor baleeiro.
Não resisti a saber quem era. Uma jovem aí presente, saíu da pequena Casa/Museu e, solicita e entusiasmada, apontou para o alto da escarpa e informou-me que a casinha minúscula que se via no topo era dele, do tal escritor baleeiro.
Não resisti a subir! Lá no alto, um lápide, esclarecia:
ALTO DA ROCHA DO CANTO DA BAÍA
Apreciei a vista sobre o mar e entrei por um minusculo portão, facilmente transponivel, com a ajuda de uma pequena tramela.
Cheirou-me a beleza e simplicidade.
Subi umas escadinhas caiadas de branco, bati e ouvi de imediato um "entre".
O homem estava numa salinha pequenina, rodeado de livros e fotos. Estava secrevendo. Interrompeu. Foi assim que iniciámos uma conversa que se transformou numa profunda amizade, que as cartas, conversas e frequentes encontros reforçaram.
Foi assim que conheci DIAS DE MELO, o escritor baleeiro, que ontem nos deixou.
Folheio, agora, o dossier onde guardo a sua correspondência e leio, e divulgo:
«... hoje estou como que morto e, e não fosse este empenho em escrever-lhe, com certeza ficaria o dia todo na cama a apodrecer.
... passamos a vida toda a escrever um livro... e outro... e outro... e mais outro... e outro ainda... E, afinal, é sempre o mesmo livro que estamos e nunca mais acabamos de escrever. Ia a dizer: acabamos: com a morte. Nem assim, pois que o grande livro nem o chegamos a começar.
Ou começamo-lo e acabamo-lo? Sim. Talvez. Se considerarmos que o único livro que escrevemos é a própria vida que vivemos.
Não estou a dizer nada de novo. Se não estou em erro, já o que acabo de proferir o li, não me recordo é em quem. Que há tabém uma outra grande verdade, penso que também a li em qualquer sítio (ou nem uma nem outra a li nem ouvi?), é isto:
Há coisas que, mesmo que venham doutros, nós só as alcançamos quando a elas chegamos pelos nossos próprios meios, ou em resultado da nossa própria experiência e, neste caso, podemos chamar-lhes nossas.» (24-02-2002)
Tantas lições recebi de ti, DIAS de MELO , tantas. Não vou esquecê-las. Não te esquecerei. Há pouco tempo passei pela tua casa do Pico. Parei. Passeei-me no pequeno quintal e fotografei-a:

24 de setembro de 2008

A propósito de vindimas

Um provérbio:

"Vindima molhada, acaba cedo e aliviada"


Uma cantiga:

Chora Bideira
Bós dizeis: Apart' áparta
O binho tinto do branco:
Tamén a mim m'apartaro
De quem eu gostaba tanto.
(bis)
Chora, bideira,
Ó bideirinha!
Chora, bideirinha,
Ó prenda minha!
A bideira sempre chora
Quando a corta o podador;
Também eu tenho chorado
Cun penas do meu amor
Chora, bideira,
Ó bideirinha!
Chora, bideirinha,
Ó prenda minha!
in Cancioneiro Popular Português


20 de setembro de 2008

VOU LER ...

"Ler é aconselhável no combate à inveja e ao mau-olhado. Tem-se revelado eficaz em casos de amor, dinheiro, saúde, emprego, casar, engravidar, afastar, separar, trazer de volta, atrair clientes, vender imóvel, comprar carro e outro."

16 de setembro de 2008

Pela estrada fora ...

Esta foto de Ivan Nunes vem mesmo a propósito da transcrição que faço de Patrícia Goldey in Rituais de Morte no Portugal Contemporâneo, pg.101.
«Embora muitos rituais comunitários tivessem desaparecido com ou sem a intervenção da Igreja, as pessoas ainda comemoram os mortos diariamente; há as alminhas -pequenos nichos pintados - e cada vez que uma pessoa passa por elas deve dizer um Padre-Nosso pelas almas do Purgatório; os cruzeiros e calvários que também evocam diariamente a morte, embora também tenham um significado político - a cruz no cimo do pelourinho define os limites do poder judicial, o território de uma igreja ou os limites de uma paróquia.
Os montículos de pedras nas collinas ou á beira da estrada sáo aí colocados, pera a pedra, por pessoas que passam e que oram por alguém que morreu num acidente ou de morte violenta. (...)
Deste modo, os habitantes das aldeias têm, no meio em que trabalham, elementos que os fazem evocar diariamente a morte.»

Na verdade, a morte, na aldeia, é vivida de uma forma mais próxima do quotidiano, do que nas cidades, onde se oculta cada vez mais a morte.

Agradeço ao Ivan Nunes a cedência da foto:
http://ex-ivan-nunes.blogspot.com/2008/09/um-aviso-feito-tempo.html

14 de setembro de 2008

CULTO DOS MORTOS

Diz ainda João Aguiar em LAPEDO - Uma Criança no Vale: «... pelo menos em certas regiões do país, o Natal tinha também um culto dos mortos; ora "no Alto Minho, para a ceia da consoada, punha-se um talher a mais na mesa, que se destinava à pessoa de família falecida em data mais recente, mesmo na cidade do Porto, em certas casas, dispõe-se numa sala à parte uma duplicação da ceia, destinada aos mortos (...)». (1)
Em Portugal vários estudos têm sido feitos sobre o ritual e o culto dos mortos. A título de exemplo, veja-se este:



(1) - pg. 109. João Aguiar cita Ernesto Veiga de Oliveira, Festividades Cíclicas em POrtugal, Dom Quixote, 1984.

13 de setembro de 2008

UMA CRIANÇA NO VALE

Não é de admirar que a descoberta da criança do Lapedo tenha levado João Aguiar a escrever este livro tão cheio de vivacidade, de informação e de alguma fantasia. A criança do Lapedo veio trazer novas questões aos arqueólogos nomeadamente no que diz respeito às teorias da ocupação da Europa, pelo Homem e da sua evolução. Quando algumas teorias asseguravam que o Neandertal se tinha extinguido na Europa, à época em que a criança do Lapedo viveu, vem este achado pôr em causa a sua extinção e levantar a questão da hipotética relação do Homo Sapiens (ou anatomicamente moderno) com o Homem de Neandertal.
Mas, depois de ter estado no Vale, junto da Ribeira da Caranguejeira e do abrigo onde a criança foi sepultada, há 24.500 anos, é o ritual de morte que envolveu esta sepultura, que gostaria de realçar. E passo a citar João Aguiar:
«A criança ao ser enterrada, recebeu oferendas.O seu significado exacto não é conhecido; apenas se pode dizer que elas traduzem, por um lado, a crença numa vida no Além e, por outro lado, uma atenção especial ao defunto. Uma dessas oferendas foi um coelho de tenra idade. Colocaram-no - já morto, evidentemente - atravessado sobre as pernas da criança, na região das tíbias.»
(...)
Terão sido também colocadas junto ao corpo duas peças de carne:
«Também neste caso das peças de carne de veado, não é possível reconstituir o seu significado preciso.Apenas se sabe que "é comum nas crenças das sociedades de caçadores-recolectores a necessidade de depositar comida com o morto,que geralmente se supõe ter simplesmente passado a uma etapa diferente do ciclo vital(1)". »
(...)
«A criança estava envolvida numa mortalha de material semi-rígido , mas não sabemos, de todo, se estava nua ou vestida.O que sabemos, porém, é que lhe foram colocados adornos, mais precisamente um colar e um diadema: o menino era, sem dúvida alguma, "bem amado" e "bem tratado", como afirmou Cidália Duarte (2).»
Os rituais de morte envolvendo crenças sobre a Vida e o Além atravessaram milhares (milhões) de anos e continuam a manter o Homem na esfera do humano. Eles contribuem para amenizar a dor dos que ficam, mas também para eternizar os que entram noutra etapa.

(1) - João Zilhão, A criança do Lapedo e as Origens do Homem Moderno..
(2) - Arqueóloga e antropóloga que estudou (e estuda?)o Vale e a criança do Lapedo.

8 de setembro de 2008

Ciência Viva no Canhão da Caranguejeira





Uns acharam presumíveis ossos outros, calcários com designações estranhas, outros imaginaram morcegos na gruta do Buraco Roto, outros seduziram-se com as folhas de acanto e eu surpreendi-me com as cascas de caracóis alinhadas ao longo das paredes do Buraco Roto, como se faz durante a procissão da festa de Nossa Senhora do Fetal. A toda esta diversidade de interesses atenderam, sempre solícitos, os nossos guias: Sofia, Filipe e Saul.

CIÊNCIA VIVA - Lapedo, fontes e nascentes

Filipe, Sofia e Saúl

Depois de ver o Lapedo, onde foi descoberta a criança ali sepultada há 24.500 anos, as nascentes do Liz e as grutas do Reguengo do Fetal, com a ajuda do olhar do Saúl, do Filipe e da Sofia, jamais olharei o Universo da mesma maneira. Jamais contarei os anos de a.C a d.C. Jamais esquecerei o significado de Grácico, Cretácio, diapirismo e outros termos que ouvi repetidamente ao longo desta sessão de CIÊNCIA VIVA que começou em Leiria, pelas 10 da manhã, e terminou por volta das 18, depois de uma entrada iniciática no Buraco Rôto.

O Saúl, jovem geólogo acabado de formar, apesar de bombardeado pelas imensas perguntas dos participantes, nenhum deles com formação em geologia, acabou o dia sorridente e nós, satisfeitos, bem dispostos e muito gratos. O Filipe e a Sofia, também eles geólogos e jovens, foram óptimos condutores do grupo, sempre oportunos a dissolver resquícios de dúvidas que pudessem ficar.
Parabéns a este grupo, parabéns aos promotores desta iniciativa que vem, de uma forma lúdica, acrescentar tanto conhecimento sobre o espaço onde vivemos e que pisamos todos os dias sem nos apercebermos das suas transformações ao longo de milhões de anos.

6 de setembro de 2008

O NÚMERO SETE NO JOGO TRADICIONAL


«Sept correspond aux sept jours de la semaine, aux sept planétes, aux sept degrés de la perfection, aux sept sphères ou degrés célestes (...).
CHEVALIER, Jean, GHEERBRANT, Alain - Dictionnaire des Symboles, p.860/861.

Neste jogo, descrito em Sabores, Cheiros e Comeres Regionais de Mafra, as crianças não podiam ter mais de sete anos - o limiar.
Sete anos, era também a idade com que as crianças podiam ingressar na escola, num novo patamar das suas vidas, outro limiar:
«Sept comporte cependant une anxiété par le fait qu'il indique le passage du connu à l'inconnu: un cycle s'est accompli, quel sera le suivant?» CHEVALIER, Jean, GHEERBRANT, Alain - Dictionnaire des Symboles, p.861.

5 de setembro de 2008

CIÊNCIA VIVA na NAZARÉ e as sete saias das Nazarenas


Fui a uma sessão da Ciência Viva, atraída pelo título - Milagres da Geologia no Sítio da Nazaré. E não me arrependi! A jovem geóloga, de seu nome Laura e Nazarena "dos sete costados" deu informação e mais informação... com termos eventualmente desconhecidos, para pessoas que, como eu, nada sabem sobre geologia, mas fê-lo de uma forma tão entusiasta e com uma simplicidade tal, que captou a nossa atenção e a mim, ensinou-me imenso.

Venho a este assunto porque a Laura (suponho ser geóloga na Câmara da Nazaré) que se veste de Nazarena, de vez em quando, demonstrou como é fácil e prático usar este traje, o que muito nos surpreendeu! Entre outras coisas "não é preciso usar carteira porque temos a alzebêra", dizia ela, com o propósito de adulterar o vocábulo. E, pegando nas sete saias dos trajes expostos no Museu, ia enfiando a mão em cada uma das aberturas laterais até chegar à tal "alzebêra"... bem escondida e só atingível pela portadora do traje.

Então não é que comecei a associar o gesto e as palavras da Laura ao mito da Descida aos Infernos de Istar de que fala Moisés do Espírito Santo? A deusa, para entrar nos Infernos, teve de passar por sete portas, "arquétipo dum mistério iniciático de morte-ressurreição em sete passos, graus ou segredos", tantas quantas as saias da Nazarenas. Resquícios do culto a esta deusa?
(Foto de TeresaPerdigão - A LAURA)

3 de setembro de 2008

ISTAR OU ÍSIS EM ALJUBARROTA

Em CINCO MIL ANOS DE CULTURA A OESTE - Etno-história
da Religião Popular numa Região da Estremadura
, Moisés do Espírito

Santo faz derivar os cultos a Santa Teresa, à Senhora das Areias e à Senhora da Luz, da região de Aljubarrota, do mito babilónico mencionado por Descida de Istar aos Infernos.

Diz a lenda que estas Senhoras apareceram a mulheres que haviam perdido uma chave e que a procuravam desesperadamente ou, dizem as pessoas, que a chave que Santa Teresa tem na mão é a chave do inferno onde ela foi para resgatar o filho.
MES acrescenta que "Este mito de uma Senhora que tem a "chave" do inferno, e que lá foi para resgatar o filho, apesar da sua extrema simplicidade, é um achado de grande importância para a compreensão etnológica da religião nesta região do Litoral.
(...)
Aqui, em Aljubarrota, o mito da Descida aos Infernos ficou reduzido ao mínimo; mas já é surpreendente que este vestígio inconfundível e a chave da imagem tenham sobrevivido a tantos séculos de convulsões culturais e doutrinais." (p.136)
Em seguida, MES faz uma descrição e análise deste mito - Descida de Istar aos Infernos.