Dos muitos artífices com quem tenho contactado ao longo de vários anos, são os cesteiros e esteireiros os que mais se têm extinguido e dado por terminada a tarefa. Queixam-se da dureza do trabalho e da falta de reconhecimento do esmero e rigor com que executam os cestos ou esteiras.
Recordo um lamento das mulheres de Castanheira (Cós), recolhido em 2000.
«O junco vem em molhos do Alentejo, depois junta-se em mãozinhas, corta-se, molha-se, mete-se no pacote e enxofra-se várias vezes para ele aclarar, porque vem mesmo preto. Depois escolhe-se à medida que a gente quer, escolhe-se, tira-se algum preto e depois é que se trabalha." Para o tingir, é num caldeiro com água a ferver. Tinge-se de vermelho, verde, roxo e amarelo. Tudo isto dá muito trabalho e, como dizem estas mulheres, não dá para a gente nova. Faz muitos calos nas mãos e deforma os ossos. Na realidade, se tivermos em conta os preços das tintas (onze, doze e dezasseis contos o quilo); as horas que leva a urdir e as horas que um cesto demora a tecer (cerca de duas), para ser vendido a oitocentos escudos, apercebemo-nos da justeza das lamentações destas mulheres.»
in PERDIGÃO, Teresa - Tesouros do Artesanato Português, Madeiras, Fibras vegetais , Materiais Afins, Volume I, Verbo, Fotos de Nuno Calvet, 2001, p.193.
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31 de agosto de 2008
ALCOFAS COLORIDAS - 1
Na Aljubarrota Medieval podia ver-se um tear onde se tecem as alcofas coloridas de Castanheira (Cós, Alcobaça).
Foto de Teresa Perdigão
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