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20 de maio de 2009

Dia da espiga antecipado - Hábitos de Maio - 10

Hoje, HEAVENLY antecipa o dia de amanhã, dia de colher, entre outras plantas, a papoila da fúria de viver: http://vascotrancoso.blogspot.com/

A espera do Bom Verão - Hábitos de Maio 9

Num dia, não fixo, entre Abril e Maio, conforme as localidades, os hábitos e os costumes, as populações encontravam-se nos campos, comiam juntos, cantavam e dançavam. Diziam que iam esperar o Bom Verão e a época das sestas iniciava-se nesse dia. Ainda hoje se notam resquícios desta prática junto à Lagoa de Óbidos, em frente ao Covão dos Musaranhos.
Em 1878, D. Luis Vermell Busquets dava-nos conta do que se passava nas Caldas da Rainha:
"Nove dias depois da Paschoa, esta villa parece um deserto, quasi todas as portas estão fechadas, e perguntando eu o motivo, disseram-me que os habitantes n'este dia de cada anno saem a buscar o «bom verão», quer dizer, que vão divertir-se fóra da povoação com a esperança de futuros lucros: os operarios por que se acabam os serões, e começam as "sestas".
Origem do Real Hospital e da Villa das Caldas da Rainha com mais alguma noticia interessante assim histórica como archeologica, e também acerca da virtude das aguas mineraes da dita villa, D. Luis Vermell y Busquets (o peregrino espanhol), -Pintor, e esculptor-entalhador da Real Casa de Sua Magestade o Senhor D. Fernando.Editado em Lisboa na Typographia Universal de Thomaz Quintino Antunes, impressor da Casa real, Rua dos Calafates, 110, em 1878, pg. 29.
Agradeço à Isabel Castanheira esta informação.

17 de maio de 2009

Na Região de Mafra - Hábitos de Maio - 8

Em O ETERNO FEMININO NO ARO DE MAFRA, num capítulo intitulado O CALENDÁRIO DA GRANDE DEUSA na Região de Mafra, assinado por Manuel GANDRA, lê-se o seguinte, no que se refere ao mês de Maio:
1 de Maio - Rebolão (Malveira): manjar ritual sobre uma mó no cimo do Cabeço do Cerro, após o que a mó (pedra fêmea) era lançada Cerro abaixo (figurando o princípio masculino), com o objectivo de propiciar a fertilidade;
Visita das Fontes (Ericeira), com consagrações florais e ofertas de pão e trigo.
3 de Maio - Divina Bela Cruz (Póvoa da Galega): colocação de cruzes floridas nos campos.

Foto de Afonso Alves in PORTUGAL, FESTAS e ROMARIAS, Clube Internacional do Livro, 1999

O ritual de do dia 1 de Maio da Malveira assemelha-se ao que se passa em Monsanto (Idanha-a-Nova):
O cortejo dos habitantes sobe até ao castelo, encabeçado por mulheres que cantam e tocam adufes. Algumas delas
levam cestos floridos à cabeça, mas um deles é designado por "bezerro florido" e é atirado do alto dos penhascos, ribanceira abaixo. Diz a lenda que este bezerro simboliza um gesto de há séculos levado a cabo pela população que, enganou os invasores, atirando-lhes com um bezerro, fazendo-lhes pensar que estava com fartura suficiente para aguentar o cerco. Foi este gesto que os salvou, pois os invasores partiram em retirada, afirma a lenda.
De facto, o que se homenageia é, não só a fertilidade, mas também o desejo de abundância das sementeiras que se iniciam.





Foto de Afonso Alves in PORTUGAL, FESTAS e ROMARIAS, CIL



14 de maio de 2009

Procissões e rogações em honra de Maria - Hábitos de Maio 7

Depois da polémica sobre os touros de morte, em Barrancos, aquando da festa de Nossa Senhora da Conceição e, guardadas as devidas distâncias, no que a Fátima diz respeito, a procissão de Nossa Senhora Rainha da Paz, do Bairro da Bela Vista, de Setúbal, é a que, ultimamente, mais mereceu a atenção dos media.
Eles espiolharam as intenções dos que assistiam, eles escarafuncharam o mais possível na razão das promessas, eles viraram do avesso a fé e a devoção, tipo cães pisteiros.
Para o ano a notícia continua: "Faz hoje um ano que a procissão não passou pelo Bairro da Bela Vista ..." Já nem farão referência ao nome da Senhora. Pouco lhes importará referir este acontecimento com um dos hábitos de Maio - a dedicação deste mês,a Maria, prática importada desde meados do século XIX. Também pouco lhes importa reflectir sobre a Rainha da Paz porque para o ano a luta será outra. Mas fica aqui registado este nome que coroa Maria, na sequência do culto à Grande Mãe e às deusas que na Primavera eram festejadas.

11 de maio de 2009

Majblomma - Hábitos de Maio 4


MAJBLOMMA
Durante o mês de Maio, vendem-se, na Suécia, pequenas pregadeiras, cuja receita reverte a favor de obras de solidariedade social. Estas pregadeiras têm o nome da flor amarela, Majblomma, que lhes deu origem. Embora esta prática se conheça apenas desde 1907, é muito provável que tenha as suas raízes num antigo hábito


MAJBLOMMA

europeu de pôr à porta e nos campos, flores amarelas, para glorificar a Deusa Maya e dar as boas-vindas à Natureza florida, do qual resta a cor amarela, obrigatória no centro da flor, dado que a cor das pétalas mudam de ano para ano, mas nunca a da corola.
Devo esta informação à minha amiga Agneta Björkman que me disse ainda que se recorda de ver, no dia 1 de Maio, os carros enfeitados com Majblomma.
Também em Portugal esse hábito era frequente até, pelo menos, aos anos 70. Ainda hoje se colocam flores amarelas à porta. Nuns sítios usan-se giestas e noutros, maias. Teófilo Braga assinalou este costume em O Povo Português, Vol. II: "no dia 1º de Maio, colocam-se nas portas e janelas flores de giesta, prservativo contra o Maio, que sem ele aleijará os bacorinhos, pintos e anhos."