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5 de agosto de 2008

S. GIÃO - NAZARÉ 3




O espaço interior da igreja visigótica de S. Gião, um dos raros exemplos de igrejas paleo-cristãs, existentes em Portugal,estava organizado de forma a que o clero, disposto no coro, estava separado do povo. Aqui, o que há de original, é o facto desta separação se fazer através de uma parede com colunas e não por uma cancela, como era habitual. Diz o estudioso alemão Helmut Schlunk a este respeito que S. Gião "ocupa uma situação singular na Arquitectura da Península Ibérica". Diz ainda Saavedra Machado que "esta foi a primeira igeja, a nível mundial, a seguir a liturgia ditada pelos concílios de Braga (561) e de Toledo (663) que obrigava aà separação entre o clero e o povo".

S. GIÃO - NAZARÉ 2


Aguardamos há anos que as promessas se cumpram!
Quando as obras de restauro estiverem concluídas, o público visitará "uma igreja com mais de mil anos preservada na sua pureza, com uma luz ténue e sem embelezamentos porque não se pretende cortar a leitura daquilo que era um templo visigótico", disse Flávio Lopes.
A informação explicativa sobre como seria o monumento composto por uma nave central e pelo iconostasis (três arcos que dividem o povo do sagrado) constará num edifício anexo (uma construção recente que existia aquando da compra do monumento) que o IPPAR optou por não demolir. Painéis explicativos vão mostrar o desenho completo do templo descoberto por arqueólogos que conseguiram encontrar as suas fundações.

In http://algarvivo.com/arqueo/visigotico/ermida-nazare.html

S. GIÃO - NAZARÉ 1







A capela de S. Gião bordeja com o mar, entre S. Martinho do Porto e Nazaré. Há milénios, este local foi templo em honra de Neptuno e dos demais deuses do mar, segundo relata lápide aí encontrada.
Tornou-se templo cristão (séc.V-VI) e S. Julião passou a ser aí cultuado. Com o passar do tempo, com o desaparecimento dos monges agostinhos que acabaram por morrer de lepra, e com o florescimento de outros cultos, nomeadamente o de Nossa Senhora da Nazaré, o templo foi ficando ao abandono.
Em 1978, altamente degradado, foi classificado como monumento nacional.
Dez anos depois, José Manuel Fernandes escrevia no Expresso de 10 de Dezembro: “Lá dentro encontramos um depósito de tomates apodrecidos, alfaias agrícolas e trastes velhos e inúteis. Só com dificuldade acreditamos estar num imóvel classificado como monumento nacional. Mas estamos”.
Em 1994, escrevia Carla Tomás, no Público Magazine, a propósito do cenário com que se deparou, no interior: ”Estrume, palha, papéis imundos, sapatilhas velhas, lixo e mais lixo espalha-se pelo chão de terra batida.”
Agora é uma caixa enorme, em alumínio, que se destaca no sopé da Serra da Pescaria, com a Nazaré ao fundo e o sussurrar do mar, ali tão perto!!!!
O empacotamento foi feito pelo IPPAR.
Christo teria feito, pelo menos uma obra de arte visitável e … quem sabe? Lucrativa!