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24 de junho de 2010

Flambe feu ...


Flambe feu;
Je te donnerai un œuf;
flambe gros,
je t’en donnerai neuf,
flambe petit,
Je t’en donnerai dix

Canção francesa da região do Dauphiné
In Philippe Walter - Mythologie Chrétienne, p.193

Da celebrações pré-cristãs, pelo solstício de Verão, restam-nos as fogueiras de São João, feitas de ramos bem cheirosos, os manjericos, os alhos porros, as alcachofras e a erva-de-São João.
As fogueiras fazem-se noutras épocas do ano tão marcantes como o solstício de Verão. Subsistem no Natal de Trás-os-Montes. Disfarçam-se em "queimas de Judas", "queimas dos compadres" e círios pascais, pelo Carnaval ou pela Páscoa. Escondem-se dentro de abóboras, a 1 de Novembro, ou noutras fantasias, mas todas elas manifestações, mais ou menos distintas, de um mesmo rito primordial - o culto ao sol.


Hoje, o 24 de Junho, festeja-se de variadíssimas formas, pelo país inteiro. Desde o mediatizado S. João do Porto, passando por alguns dos mais significativos, como o de Monforte da Beira e a Bugiada do Sobrado, e acabando nos festejos onde persiste quase unica e exclusivamente o convívio, à volta de uma fogueira e de uma sardinhada.
Na Serra dos Mangues (S. Martinho do Porto, Alcobaça), uma pequena associação, convocou os vizinhos para celebrar São João. Sardinhas, febras, pão e vinho, associados ao convívio, deram vida à festa. No ar espalhou-se o fumo com cheiro a rosmaninho e alecrim.
A Serra dos Mangues e toda aquela zona costeira está cada vez mais povoada de estrangeiros, alemães, ingleses e holandeses, mas poucos responderam ao convite.

24 de setembro de 2009

A Babel em construção

A Serra dos Mangues era uma localidade onde as pequenas casas tradicionalmente se protegiam na encosta contrária ao mar. Protegiam-se dos ventos e da maresia. Aproximavam-se do Vale Tifónico, mais fértil e acolhedor. Nessa altura, nestes sítios que ficam entre a Nazaré e S. Martinho, só se falava português.
Agora é uma Torre de Babel que dá guarida a holandeses, alemães, americanos, franceses e ingleses, onde se ouve falar português de quando em quando.
As casas já não se instalam no aconchego da serra. Espalham-se por onde calha, mas sobretudo pelos altos que sejam bem altos e de onde se aviste o mar.




Algumas delas vêm em camiões do estrangeiro e depois são montadas pelos novos habitantes da serra. Talvez por isso há cada vez mais cães e cada vez menos espaço agrícola.