13 de junho de 2009
Ausências
O acesso à internet era difícil, mas não impossível, por isso, não pode servir de desculpa.
Se alguma justificação fosse necessária, diria que o desejo não alimentou a vontade. Foi um tempo de olhar para as Festas do Espírito Santo na Ilha do Pico e de participar num interessante congresso - Sharing Cultures - International Conference on Intangible Heritage.http://sharing.cultures2009.greenlines-institute.org/accepted_abstracts.php
Agora regresso ao blogue e às notícias ignoradas, porpositamente, durante todo este tempo. Mas, ouvir, na Antena 2, pelas 7 e tal, Pedro Malaquias fazer a revista de imprensa diária, dá vontade de fazer o mesmo às 8 e às 9 e tal. É único este olhar crítico e irónico da leitura que faz das notícias a letra pequena dos jornais diários.
23 de maio de 2009
Caldas late night - Hábitos de Maio 12
A cidade mexe. Ouve-se música e burburinho durante a noite e no dia seguinte a festa continua na Rua da Montras. É um prazer andar na cidade durante estas noites!
Hoje, uma das varandas do meu bairro chamava a atenção por estar demasiado iluminada e, aparentemente, "decorada" da forma mais natural de uma varanda bairro: roupa a secar e cangalhada indecifrável, cá de baixo. A porta do prédio estava aberta. Um papel anunciava: aberto das 10,30-00,30. Um cartaz do Caldas late night identificava a iniciativa e uma música especial, vinda lá de cima, convidava a entrar.
Uma das coisas interessantes deste movimento é, precisamente, abrir as portas das casas a todos os que peregrinem pelos pontos animados pelos estudantes.
22 de maio de 2009
Aniversários - Hábitos de Maio 11
20 de maio de 2009
Dia da espiga antecipado - Hábitos de Maio - 10
A espera do Bom Verão - Hábitos de Maio 9
17 de maio de 2009
Na Região de Mafra - Hábitos de Maio - 8
1 de Maio - Rebolão (Malveira): manjar ritual sobre uma mó no cimo do Cabeço do Cerro, após o que a mó (pedra fêmea) era lançada Cerro abaixo (figurando o princípio masculino), com o objectivo de propiciar a fertilidade;
Visita das Fontes (Ericeira), com consagrações florais e ofertas de pão e trigo.
3 de Maio - Divina Bela Cruz (Póvoa da Galega): colocação de cruzes floridas nos campos.
O ritual de do dia 1 de Maio da Malveira assemelha-se ao que se passa em Monsanto (Idanha-a-Nova):
O cortejo dos habitantes sobe até ao castelo, encabeçado por mulheres que cantam e tocam adufes. A

levam cestos floridos à cabeça, mas um deles é designado por "bezerro florido" e é atirado do alto dos penhascos, ribanceira abaixo. Diz a lenda que este bezerro simboliza um gesto de há séculos levado a cabo pela população que, enganou os invasores, atirando-lhes com um bezerro, fazendo-lhes pensar que estava com fartura suficiente para aguentar o cerco. Foi este gesto que os salvou, pois os invasores partiram em retirada, afirma a lenda.
De facto, o que se homenageia é, não só a fertilidade, mas também o desejo de abundância das sementeiras que se iniciam.
Foto de Afonso Alves in PORTUGAL, FESTAS e ROMARIAS, CIL
16 de maio de 2009
Presente de Maio
Uma memória de luz ou pequena dissertação sobre a Primavera
Uma tarde estava eu na Ilha de Murano
A ver o esplendor do fogo das forjas
De onde saem peixes, relógios e cavalos
Quando me lembrei da força da terra
Não da terra propriamente dita, o planeta
Mas a terra de onde viemos e nos espera
Terá sido porque tinha estado em Burano
E no caminho vi o cemitério de Veneza
Cruzando a força das rendas das mulheres
E das redes dos pescadores dessa laguna
Com a fragilidade das flores mais secas
Sobre as pedras com as datas e os nomes
Lembrei-me mais da Primavera nesse lugar
Onde a terra era tão escassa e o mar imenso
No sono dos pequenos barcos no nevoeiro
No sossego interrompido pelos navios de luxo
Que descem o Adriático ao som da música
Mais fria, pobre e triste que se pode imaginar
Lembrei-me mais do cortejo do trem do cuco
Quando as coisas mais velhas e mais feias
Enchiam todos os carros de bois em desfile
Por entre os risos dos homens de barrete
E a desaprovação das mulheres velhas à porta
Porque havia ali coisas ainda boas de servir
Lembrei-me mais das fogueiras antigas
Nessas noites de cortejo no nosso Largo
Onde o Pelourinho é memória de justiça
E os rapazes mais velhos não deixavam
Que os pequenos saltassem a fogueira
Porque tudo tem o seu tempo na vida
Lembrei-me mais da nossa primeira festa
Que era sempre no Domingo de Pascoela
No Lugar da Granja Nova onde eu ia a pé
E o primeiro arroz de ervilhas da minha avó
Com o coelho do meu avô e dos meus tios
Era comido pelos músicos à beira do rio
Lembrei-me das nossas procissões à tarde
Quando eu segurava a naveta do incenso
E o turíbulo tinha brasas da nossa lareira
Que o meu tio ia buscar sempre a correr
Porque tinha o casaco de músico para vestir
Tocava trompete e fazia falta na filarmónica
Lembrei-me mais das festas de arraial
As gasosas a subirem do poço num cesto
A frescura nada tem a ver com frigorífico
Quando o vinho tinto amolecia as cavacas
E só assim o menino que era eu as comia
A olhar o coreto rodeado de sol e de pó
Lembrei-me mais de eu ser tão pequeno
E toda a gente na família me dizia
Para me levantar cedo e eu falhava
Não sejas lapão não deixes entrar o Maio
Repreendia a minha avó todos os anos
Sem nunca me explicar esta sua fala
Lembrei-me mais de ir ao Vale de Água
Para trazer os vários ramos da Primavera
Para nós, para a Tia Velha, para a Ti Zabel
Será por isso que ainda hoje no Chiado
Há quem venda estes ramos a alto preço
E um vai logo para o meu neto em Londres
Será isso hoje a Primavera possível
Um ramo num envelope almofadado
Ingénua maneira de prolongar o tempo
Que flutua numa memória qualificada
Mas não existe na verdade no campo
Onde se vive o esplendor dos pesticidas
Afinal nem tudo se perdeu, nem tudo caiu
Como eu não percebia as falas da minha avó
O meu neto vai demorar a perceber o ramo
Que ele possa chegar ao Outono como eu
Com o fogo da Primavera no seu olhar
E uma memória de luz onde tudo continua
José do Carmo Francisco
15 de maio de 2009
Maio nas Caldas
O Museu Bernardo festejou à sua maneira, nas margens. Não esteve na Avenida, mas, na sua sede, ali perto, organizou um concerto com a famosa banda, The Wall que, enquanto o fogo de artifício decorria, festejou, estridentemente, os 20 anos da queda do muro de Berlim. Ao mesmo tempo os performers destruíam a golpes de picareta o muro que, como as margens comprimem o rio, também ele comprimia o Museu.
Depois fizeram-se as contas e sobraram muitos milhares entre os gastos da Avenida e os do Museu Bernardo.
14 de maio de 2009
Procissões e rogações em honra de Maria - Hábitos de Maio 7
Eles espiolharam as intenções dos que assistiam, eles escarafuncharam o mais possível na razão das promessas, eles viraram do avesso a fé e a devoção, tipo cães pisteiros.
Para o ano a notícia continua: "Faz hoje um ano que a procissão não passou pelo Bairro da Bela Vista ..." Já nem farão referência ao nome da Senhora. Pouco lhes importará referir este acontecimento com um dos hábitos de Maio - a dedicação deste mês,a Maria, prática importada desde meados do século XIX. Também pouco lhes importa reflectir sobre a Rainha da Paz porque para o ano a luta será outra. Mas fica aqui registado este nome que coroa Maria, na sequência do culto à Grande Mãe e às deusas que na Primavera eram festejadas.
13 de maio de 2009
Dia de Santa Cruz - Hábitos de Maio 6
12 de maio de 2009
Liljekonvalje - Hábitos de Maio 5
Mais uma informação dada pela minha amiga Agneta Bjorkman: Na Suécia as pessoas oferecem estas flores, umas às outras. São chamadas Liljekonvalje (lírios dos vales).
11 de maio de 2009
Majblomma - Hábitos de Maio 4

MAJBLOMMA
europeu de pôr à porta e nos campos, flores amarelas, para glorificar a Deusa Maya e dar as boas-vindas à Natureza florida, do qual resta a cor amarela, obrigatória no centro da flor, dado que a cor das pétalas mudam de ano para ano, mas nunca a da corola.
Devo esta informação à minha amiga Agneta Björkman que me disse ainda que se recorda de ver, no dia 1 de Maio, os carros enfeitados com Majblomma.
Também em Portugal esse hábito era frequente até, pelo menos, aos anos 70. Ainda hoje se colocam flores amarelas à porta. Nuns sítios usan-se giestas e noutros, maias. Teófilo Braga assinalou este costume em O Povo Português, Vol. II: "no dia 1º de Maio, colocam-se nas portas e janelas flores de giesta, prservativo contra o Maio, que sem ele aleijará os bacorinhos, pintos e anhos."
6 de maio de 2009
Maio Florido - Hábitos de Maio 3

2 de maio de 2009
Não casar em Maio - Hábitos de Maio 2
Na Antiguidade e em toda a Idade Média perpetuou-se a interdição de efectuar casamentos neste mês, dado que se corria o risco de ter como esposa um ser vindo do outro mundo. Esta ideia de ver o casamento amaldiçoado persiste em algumas regiões de Portugal, substanciada, por vezes em ditos como este, que diz respeito a Mafra: “Casamento em Agosto é desgosto! Casamento em Maio é estéril”.
Os ritos e mitos deste mês rodam à volta da vegetação e das flores. Há descrições de paradas, cortejos e desfiles onde os intervenientes usavam fatos e chapéus floridos e do costume de pôr flores, ou mesmo plantar árvores, à porta das pessoas que se queria obsequiar, na noite que antecede o primeiro de Maio.
Em França mantém-se o hábito de oferecer um ramo de pequenas flores brancas, o muguet, aos amigos, neste dia. Em Portugal é usual colocar maias às portas das pessoas e enfeitar os carros e os campos com esta flor.
Na religião católica, este mês é consagrado a Maria.
1 de maio de 2009
Acordar cedo - Hábitos de Maio 1
Em muitas localidades, ainda persiste este hábito, como por exemplo, em Óbidos e algumas das suas freguesias.
28 de abril de 2009
25 de abril de 2009
21 de abril de 2009
Memória afectiva das salinas do Arelho
19 de abril de 2009
Roubar Figos é coisa santa
Era um trabalho que demorava cerca de um mês, com mais de uma dezena de mulheres a correrem pelas valas, como formiguinhas, de gamelas à cabeça.
Felícia, hoje com 83 anos, filha de pais abastados, donos de terrenos e de animais, nunca trabalhou nas salinas, que era sítio para filhas de gente de menos posses. Mas trabalhou, e a sério, nos campos, a sachar e a mondar. Calcorreou bons quilómetros, para levar o jantar aos homens que trabalhavam à jorna. Ia, de madrugada, vender para a praça das Caldas. Regressava, a horas tardias, sem comer e, por vezes, montada no macho, a abrir caminho ao pai, não fosse aparecer a ladroagem e ficar com o dinheiro da venda.
Nunca trabalhou nas salinas mas lembra-se muito bem de se regalar com a paisagem , por isso, quando o pai lhe dava ordem para ir trabalhar para um terreno que proporcionava essa vista, até agradecia. Porém, na sua mente havia sempre um mistério indecifrável. "Este estafermo da figueira, meu pai - dizia ela - vale mais arrancar-se. Nunca dá figos! Ainda por cima também nunca se lhe vê flor! Nunca cumpre a obrigação de dar fruto! Isto é coisa que até assusta. Parece obra do diabo."
Seja como for, o que interessa para o caso é que Piedade, ela sim, trabalhadora nas salinas durante trinta e seis anos, muito tempo passado, desvendou o segredo da aparente infertilidade das figueiras.