
Mas, depois de ter estado no Vale, junto da Ribeira da Caranguejeira e do abrigo onde a criança foi sepultada, há 24.500 anos, é o ritual de morte que envolveu esta sepultura, que gostaria de realçar. E passo a citar João Aguiar:
«A criança ao ser enterrada, recebeu oferendas.O seu significado exacto não é conhecido; apenas se pode dizer que elas traduzem, por um lado, a crença numa vida no Além e, por outro lado, uma atenção especial ao defunto. Uma dessas oferendas foi um coelho de tenra idade. Colocaram-no - já morto, evidentemente - atravessado sobre as pernas da criança, na região das tíbias.»
(...)
Terão sido também colocadas junto ao corpo duas peças de carne:
Terão sido também colocadas junto ao corpo duas peças de carne:
«Também neste caso das peças de carne de veado, não é possível reconstituir o seu significado preciso.Apenas se sabe que "é comum nas crenças das sociedades de caçadores-recolectores a necessidade de depositar comida com o morto,que geralmente se supõe ter simplesmente passado a uma etapa diferente do ciclo vital(1)". »
(...)
«A criança estava envolvida numa mortalha de material semi-rígido , mas não sabemos, de todo, se estava nua ou vestida.O que sabemos, porém, é que lhe foram colocados adornos, mais precisamente um colar e um diadema: o menino era, sem dúvida alguma, "bem amado" e "bem tratado", como afirmou Cidália Duarte (2).»
Os rituais de morte envolvendo crenças sobre a Vida e o Além atravessaram milhares (milhões) de anos e continuam a manter o Homem na esfera do humano. Eles contribuem para amenizar a dor dos que ficam, mas também para eternizar os que entram noutra etapa.
(1) - João Zilhão, A criança do Lapedo e as Origens do Homem Moderno..
(2) - Arqueóloga e antropóloga que estudou (e estuda?)o Vale e a criança do Lapedo.
1 comentário:
Mais um post cheio de "vivacidade", interesse e muito bem feito!
Parabéns Teresa! Continue a brindar-nos assim! Um Bj!
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