
Também hoje se realiza, em Freamunde, a feira dos capões, iguaria altamente apreciada por gastrónomos e religiosamente preservada pelos freamundenses (não confundir com Pacenses - de Paços de Ferreira!
Dois acontecimentos que só aparentemente nada têm a ver um com o outro, porque, na realidade, estão ligados pela luz, pela simbólica solar. Em relação ao culto a Santa Luzia, diga-se que era nesta altura que, em Roma, se iniciavam os festejos em honra do Sol, devido à aproximação do Solstício de Inverno - as Saturnais (Saturnalia). Era uma época de desordem social, através da qual se procurava reviver os tempos míticos de uma felicidade utópica, outrora existente.
Destes rituais pagãos a igreja católica assimilou o sol, à Luz - Luz divina que guia e orienta - e encontrou uma santa que foneticamente se lhe, a santa Luzia, cujas lendas a situam nos países nórdicos onde ela, pela manhã do dia 13 de Dezembro, aparece a acordar todos os que ainda dormem, trazendo a luz da manhã (solar). Vem vestida de branco (de luz), com uma bandeja com velas acesas e ostenta na cabeça uma coroa, também ela, luminosa.

Freamunde tem sabido manter esta tradição, fazendo paralelamente uma semana de gastronomia, um jantar (dia 12) onde se elege o melhor capão confeccionado por restaurantes locais e um concurso que selecciona o capão mais bem capado, quer dizer, que segue as rígidas regras que distinguem um capão de um rinchão e que eu me atrevo a enumerar, de cor, fugindo, pois, à severidade do júri: o capão tem de ser cirurgicamente capado, com cerca de dois meses, o capão não canta, não tem crista, não tem os brincos que pendem por baixo do bico e... claro! não corre atrás das galinhas! É um eunuco! Um rinchão é um falso capão!!!
3 comentários:
Bem, ascoisassaocomosao mudou de visual. Mas talvez não tenha ainda estabilizado. Período experimental? Quer notas dos leitores assíduos?
O capão é prato de Natal em diversas regiões. Na Beira?
Sim, João,é mesmo um período experimental. À procura de um aspecto que não ofusque o texto e que seja minimamente apelativo. Como neófita que sou, recorri à nossa professora Celeste. Estamos a tentar dar-lhe um cabeçalho que o dignifique... isto para começar!
Aceito dicas, sugest]oes e ajuda.
Paralelamente vou-lhe dando alguma identidade... que bem precisa!
Quanto ao capão, de prato bastante usual (nesta época), foi perdendo a sua importância até que há cerca de 15 anos passou a ser engordado em aviários, o que fez com que se expandisse pelo país todo. Na zona de Freamunde passou a ser servido nos restaurantes, o que não acontecia até aí. Na feira que referi encontram-se verdadeiros capões, mas também alguns rinchões porque a operação a que são sujeitos nem sempre corre muito bem. Quer dizer, os galos ficam a meio caminho entre uma coisa e outra - o galo e o capão. Para quem conhece e aprecia, a diferença é substancial. Por isso mesmo é muito interessante assistir à compra e venda destes bichos.
Também na Maia, o capão fazia parte das iguarias natalícias, em algumas casas (cf. MARQUES, José Augusto Maia - A Maia e a Gastronomia)
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